sexta-feira, 28 de junho de 2013

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM- HELGA

Público alvo: 8ª série/ 9ª ano (Ensino Fundamental).
Tempo previsto: de 6 a 9 aulas.
Conteúdos e temas: Traços característicos de um conto.
Competências e habilidades: Explorar, desenvolver e ampliar as capacidades de leitura.
Estratégias: Apresentação de poemas e músicas.
Recursos: Textos escritos e poemas.
Avaliação: Produção de um conto, paródia, leitura, dramatização.

ANTES DA LEITURA

1ª) Faça uma busca a respeito dos conhecimentos que a turma já dispõe em relação ao assunto ou ao próprio texto. (Extrair dos alunos o que já sabem e o que esperam aprender com o texto).

2ª) O texto de Moacyr Scliar se chama “Pausa”. A partir do título, o que você espera que seja tratado no texto?
 - Trabalhar as diversas sugestões que o título pode trazer antes de uma leitura com os alunos:
a) Se alguém já vivenciou esta experiência e o que achou.
b) Qual a ideia da palavra ‘pausa’ que os alunos têm?







3ª) Informações sobre o autor do conto (Moacyr Scliar):
  Moacyr Scliar
Nasceu em Porto Alegre em 1937. Autor de mais de setenta livros em vários gêneros, romance, conto, ensaio, crônica, ficção infanto-juvenil, suas obras foram publicadas em mais de vinte países, com grande repercussão crítica. Recebeu numerosos prêmios, como o Jabuti (1988, 1993 e 2000), o APCA (1989) e o Casa de Las Américas (1989). Foi colaborador em vários órgãos da imprensa no país e no exterior. Teve seus textos adaptados para cinema, teatro, televisão e rádio, inclusive no exterior. Foi médico e membro da Academia Brasileira de Letras. Morreu em março de 2011.
(Entregar uma cópia da pequena biografia do autor para cada aluno)

DURANTE A LEITURA

4ª) Leitura compartilhada em sala de aula (entregar uma cópia do conto para cada aluno e pedir para que cada um leia um parágrafo).
Pausa
“Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para o banheiro, fez a barba e lavou-se. Vestiu-se rapidamente e sem ruído. Estava na cozinha, preparando sanduíches, quando a mulher apareceu,bocejando:— Vais sair de novo, Samuel? Fez que sim com a cabeça. Embora jovem, tinha a fronte calva; mas as sobrancelhas eram espessas, a barba, embora recém-feita, deixava ainda no rosto uma sombra azulada. O conjunto era uma máscara escura.— Todos os domingos tu sais cedo — observou a mulher com azedume na voz. — Temos muito trabalho no escritório — disse o marido, secamente. Ela olhou os sanduíches: — Por que não vens almoçar?— Já te disse; muito trabalho. Não há tempo. Levo um lanche. A mulher coçava a axila esquerda. Antes que voltasse à carga. Samuel pegou o chapéu:— Volto de noite. As ruas ainda estavam úmidas de cerração. Samuel tirou o carro da garagem. Guiava vagarosamente; ao longo do cais, olhando os guindastes, as barcaças atracadas. Estacionou o carro numa travessa quieta. Com o pacote de sanduíches debaixo do braço, caminhou apressadamente duas quadras. Deteve-se ao chegar a um hotel pequeno e sujo. Olhou para os lados e entrou furtivamente. Bateu com as chaves do carro no balcão, acordando um homenzinho que dormia sentado numa poltrona rasgada. Era o gerente. Esfregando os olhos, pôs-se de pé:- Ah! seu Isidoro! Chegou mais cedo hoje. Friozinho bom este, não é? A gente... - Estou com pressa, seu Raul - atalhou Samuel. - Está bem, não vou atrapalhar. O de sempre. - Estendeu a chave. Samuel subiu quatro lanços de uma escada vacilante. Ao chegar ao último andar, duas mulheres gordas, de chambre floreado, olharam-no com curiosidade:- Aqui, meu bem! - uma gritou, e riu; um cacarejo curto. Ofegante, Samuel entrou no quarto e fechou a porta à chave. Era um aposento pequeno: uma cama de casal, um guarda-roupa de pinho; a um canto, uma bacia cheia d'água, sobre um tripé. Samuel correu as cortinas esfarrapadas, tirou do bolso um despertador de viagem, deu corda e colocou-o na mesinha de cabeceira. Puxou a colcha e examinou os lençóis com o cenho franzido; com um suspiro, tirou o casaco e os sapatos, afrouxou a gravata. Sentado na cama, comeu vorazmente quatro sanduíches. Limpou os dedos no papel de embrulho, deitou-se e fechou os olhos. Dormir. Em pouco, dormia. Lá embaixo, a cidade começava a mover-se: os automóveis buzinando, os jornaleiros gritando, os sons longínquos. Um raio de sol filtrou-se pela cortina, estampou um círculo luminoso no chão carcomido. Samuel dormia; sonhava. Nu, corria por uma planície imensa. Perseguido por um índio montado a cavalo. No quarto abafado ressoava o galope. No planalto da testa, nas colinas do ventre, no vale entre as pernas, corriam. Samuel mexia-se e resmungava. Às duas e meia da tarde sentiu uma dor lancinante nas costas. Sentou-se na cama, os olhos esbugalhados; índio acabara de trespassá-lo com a lança. Esvaindo-se em sangue, molhado de suor. Samuel tombou lentamente: ouviu o apito soturno de um vapor. Depois, silêncio. Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para a bacia, lavou-se. Vestiu-se rapidamente e saiu. Sentado numa poltrona, o gerente lia uma revista.- Já vai, seu Isidoro?- Já - disse Samuel, entregando a chave. Pagou, conferiu o troco em silêncio.- Até domingo que vem seu Isidoro - disse o gerente.- Não sei se virei - respondeu Samuel, olhando pela porta; a noite caía.- O senhor diz isto, mas volta sempre - observou o homem, rindo. Samuel saiu. Ao longo do cais, guiava lentamente. Parou um instante, ficou olhando os guindastes recortados contra o céu avermelhado. Depois, seguiu. Para casa.“

5ª) Ao longo da leitura, faça uma análise de cada parágrafo e identifique os elementos narrativos: tempo, espaço, personagens e foco narrativo). (Cada aluno deverá responder em seu caderno em forma de tópicos)

6ª) Selecione as palavras desconhecidas para que possa interpretá-las dentro do contexto e, posteriormente, equiparar aos significados do dicionário. (O professor deverá colocar na lousa todas as palavras que, para os alunos, são desconhecidas).

7ª) Ao longo da leitura do texto levantar hipóteses sobre o desfecho da história. (O professor deverá ouvir atentamente as sugestões dos alunos).
  • Por que o personagem ia escondido ao hotel?
  • O que ele escondia da esposa?
  • Por que mudava de nome?
  • Qual a sua visão diante do sonho?





DEPOIS DA LEITURA

8ª) Relate suas impressões pessoais sobre o autor e sobre a leitura do texto. (O aluno deverá fazer um pequeno texto sobre o autor e o conto em seu caderno).

9ª) Reúna-se com seus colegas para trocar impressões e informações da leitura para uma maior compreensão do texto.

10ª) Intertextualidade: Leia e escute a música Sossego, de Tim Maia, e faça uma relação com o texto lido em sala: Pausa de Moacyr Scliar.

Sossego - Tim Maia

Ora bolas, não me amole
Com esse papo, de emprego
Não está vendo, não estou nessa
O que eu quero?
Sossego, eu quero sossego
(Refrão)
O que eu quero? Sossego (4x)

Ora bolas, não me amole
Com esse papo, de emprego
Não está vendo, não estou nessa
O que eu quero?
Sossego
(Refrão)
O que eu quero? Sossego (19x)

(O professor poderá colocar a música durante a aula para que os alunos ouçam).

11ª) Atividade final: Após a explicação do professor, produza um conto contendo todas as estruturas do mesmo. (O professor deverá explicar o que é um conto, mostrando toda a sua estrutura. Deverá apresentar, também, diversos textos do gênero).

Referências para melhor entendimento do conteúdo:
  • Filme ‘Click’ de Frank Coraci, estrelado por Adam Sandler.
               


  • Poema “Vou-me embora pra Pasárgada” de Manuel Bandeira:
Vou-me Embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.

Texto extraído do livro "
Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90

  • Música “Tarde em Itapoã” de Vinicius de Moraes.

Tarde em Itapoã

Vinicius de Moraes

Um velho calção de banho
O dia pra vadiar
Um mar que não tem tamanho
E um arco-íris no ar
Depois na praça Caymmi
Sentir preguiça no corpo
E numa esteira de vime
Beber uma água de coco
É bom
Passar uma tarde em Itapuã
Ao sol que arde em Itapuã
Ouvindo o mar de Itapuã
Falar de amor em Itapuã
Enquanto o mar inaugura
Um verde novinho em folha
Argumentar com doçura
Com uma cachaça de rolha
E com o olhar esquecido
No encontro de céu e mar
Bem devagar ir sentindo
A terra toda a rodar
É bom
Passar uma tarde em Itapuã
Ao sol que arde em Itapuã
Ouvindo o mar de Itapuã
Falar de amor em Itapuã
Depois sentir o arrepio
Do vento que a noite traz
E o diz-que-diz-que macio
Que brota dos coqueirais
E nos espaços serenos
Sem ontem nem amanhã
Dormir nos braços morenos
Da lua de Itapuã
É bom
Passar uma tarde em Itapuã
Ao sol que arde em Itapuã
Ouvindo o mar de Itapuã
Falar de amor em Itapuã.

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